sábado, 26 de setembro de 2009

Madre Leônia Milito é declarada padroeira da vida no trânsito



Em plena Semana Nacional do Trânsito, freira que fundou congregação em Londrina e está em processo de beatificação no Vaticano, será intercessora da vida no trânsito. Um dos motivos é porque morreu em um acidente de trânsito, em 22 de junho de 1980


O combate à violência no trânsito em Londrina vai ganhar uma aliada divina: a madre Leônia Milito, que fundou a congregação das claretianas na cidade, foi proclamada oficialmente a padroeira da vida no trânsito pelo arcebispo dom Orlando Brandes. A oficialização ocorreu na última quarta-feira (23), durante benção de carros na paróquia São Vicente de Paulo, na Avenida Madre Leônia Milito, em plena Semana Nacional do Trânsito. A benção reuniu 540 veículos, dos quais um deles foi o primeiro ônibus de Londrina.

“A epidemia do trânsito mata mais que a gripe A H1N1. Em Londrina estamos precisando verdadeiramente de uma mudança cultural em relação ao trânsito”, afirmou o arcebispo. A freira foi escolhia para esta devoção por pelo menos duas razões: ela está em processo de beatificação e canonização há dez anos no Vaticano e porque morreu em decorrência de um acidente de carro no dia 22 de junho de 1980. “Exatamente porque ela passou por esta experiência, haverá de nos ajudar em um trânsito melhor”, ressaltou dom Orlando.
No local do acidente, um trecho da BR-369 entre Londrina e Cambé, uma capela foi erguida para lembrar o fato. Hoje existe um viaduto com o nome da freira. “Um caminhão ia atravessar a frente do fusca em que estávamos e bateu ao lado direito do carro, onde estava a madre. Ela teve morte instantânea”, lembrou a madre Eucarística Lo Conte, de 82 anos, que estava ao lado de Leônia Milito. “Ela caiu no meu ombro, já morta”, recordou.

Eucarística contou que cinco freiras estavam indo para Maringá, visitar o arcebispo dom Jaime Coelho, quando ocorreu o acidente. “Nós estávamos tranquilas quando o caminhão bateu em nós. O choque foi muito grande. Fomos levadas ao hospital, enquanto a madre foi direto para o necrotério. Foi a única que morreu no acidente”, disse a freira.

“A madre derramou o seu sangue no asfalto para ter a vida eterna”, afirmou o padre Joel Ribeiro Medeiros, pároco da paróquia São Vicente de Paulo. De acordo com ele, que participou da benção de carros, uma família foi pedir uma benção especial. “Eles tinham acabado de sair de um acidente e foram agradecer por não terem sofrido nada.” É esse tipo de devoção popular que a Igreja Católica em Londrina quer disseminar entre os fiéis.

“A religiosidade popular é que define a finalidade dos santos”, explicou dom Orlando. Segundo o arcebispo, não é o Vaticano quem define a devoção dos santos. “O santo é ligado à nossa realidade. É coisa da religiosidade popular que Santo Antônio é padroeiro dos namorados”, exemplificou. O padre Joel explicou que já há milagres comprovados da madre, necessários à canonização, mas é preciso que a freira, para se tornar santa, seja popular. “Ser protetora da vida no trânsito é um símbolo para popularizar”, disse o sacerdote.


Processo de beatificação

O processo de beatificação de Madre Leônia Milito foi aberto em 1998, quando as pessoas iam ao cemitério rezar sobre o túmulo da religiosa. Em vista disso, em 1993 os restos mortais foram transladados para o Santuário Mariano Eucarístico, localizado na Avenida Madre Leônia, ao lado da paróquia São Vicente de Paulo. O arcebispo da época, dom Albano Cavallin, deu entrada ao processo cinco anos depois.

A primeira fase do processo é chamada de diocesana. Nela, os fiéis da arquidiocese visitam o túmulo da religiosa e passam a conhecer sua vida. A primeira fase durou cinco anos e, em outubro de 2003, foi concluída com uma carreata, que reuniu cerca de 30 mil fiéis em Londrina, e com a elaboração de um documento com aproximadamente 14 mil páginas, com escritos da madre, relatos de graças recebidas e de pessoas que a conheceram.

O processo de beatificação antecede ao de canonização. Na segunda fase, chamada de romana, o processo exige uma série de documentos, como relato das virtudes heróicas da madre e a biografia documentada, entre outros. O processo de beatificação de Madre Leônia se encontra nesta fase, na Sagrada Congregação das Causas dos Santos.

Uma equipe científica e teológica analisa o caso. Se não houver milagre, a madre será proclamada pela Igreja como serva de Deus. Caso haja algum milagre comprovado pela equipe do Vaticano, ela será proclamada beata e, então, serão necessários mais dois milagres comprovados para que ela seja canonizada e declarada santa pelo papa, que é quem dá a última palavra.


História

Madre Leônia nasceu em Sapri, província de Salermo, na Itália, em 23 de junho de 1913. Ela ingressou na vida religiosa aos 22 anos, no Instituto das Irmãs Pobres de Santo Antônio. Chegou ao Brasil em 1954, encarregada de alguns trabalhos missionários no interior de São Paulo. Entre idas e vindas, a madre se estabeleceu definitivamente em Londrina em 1958, ano em que fundou a Congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret, junto com o primeiro bispo da cidade, Dom Geraldo Fernandes.

A Congregação que nasceu em Londrina já está presente em 17 países espalhados pelos cinco continentes. As irmãs só fundam comunidades onde são convidadas a fazerem isso. Ao todo, são 82 centros missionários no mundo inteiro, com 380 religiosas. Em Londrina, onde fica a casa-mãe, está também o maior número de irmãs, sendo 21 no total. O lema da Congregação, deixado pela própria fundadora, é "bondade e alegria". Em 2008, a Congregação completou 50 anos de fundação. Mais de mil pessoas visitam o Santuário todo mês.

Serviço: O Santuário Eucarístico - Mariano e a Casa de Memória Madre Leônia Milito ficam na Avenida Madre Leônia Milito, nº 545, no parque Guanabara. Para colaborar com o Santuário ou agendar visitas em grupo, basta ligar para os telefones (43) 3339-0808, 3339-1887, 3339-0252 ou 3337-7175.



Nenhum comentário: